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Guia · 7 artigos

Guia: como dimensionar, cadastrar e cuidar da equipe de plantonistas

Para a escala funcionar, calcule quantos médicos cada setor precisa por turno e no mês, confira na fonte quem pode entrar em cada vaga e mantenha a equipe com divisão justa, regra conferida antes de escalar e trocas registradas. Este guia liga os sete artigos do tema numa ordem de leitura.

Capa do guia Equipe médica na escala, do blog do adm.hospital

Equipe médica na escala: o assunto em uma página

Uma escala só funciona quando a equipe por trás dela está certa. Escala é o mapa de quem dá cada plantão. Equipe é quem preenche esse mapa.

Cuidar da equipe de plantonistas tem três partes. Primeiro, saber quantos médicos cada setor precisa. Depois, saber quem pode entrar em cada vaga. Por fim, manter essas pessoas: dividir bem o trabalho, conferir o que aconteceu e evitar que elas saiam.

Este guia amarra os sete artigos do blog sobre o tema. Cada seção diz o que você vai entender no artigo e por que ele vem naquela ordem. Leia na sequência se está montando a equipe do zero. Pule direto para a parte que dói se a equipe já existe.

Por onde começar

  1. DimensioneMédicos por turno e nomes na lista, com folga para férias e faltas.
  2. CredencieCRM e RQE conferidos na fonte uma vez, virando regra da vaga.
  3. DividaNoites, fins de semana e feriados contados por pessoa, com a conta à vista.
  4. CoordeneRegra decidida uma vez; o coordenador decide só o que pede julgamento.
  5. Confira a presençaPonto comparado com a escala que vale, já com as trocas.
  6. Segure a equipeMeça a rotatividade e aja nos sinais antes da saída.
  7. Proteja o pacienteLeve plantões descobertos e regras quebradas à pauta do NSP.

O caminho de leitura, em sete passos

  1. Quantos médicos cada setor precisa por turno e no mês
  2. Como conferir CRM, RQE e documentos do plantonista uma vez só
  3. Como dividir noites, fins de semana e feriados de forma justa
  4. Como aliviar o trabalho do médico coordenador da escala
  5. Como conferir se o plantonista chegou e ficou até o fim
  6. Como medir e reduzir a saída de plantonistas
  7. Por que a escala pesa na segurança do paciente

A ordem segue a vida da equipe: primeiro a conta, depois a porta de entrada, depois a rotina, depois a permanência. O último artigo mostra por que tudo isso protege o paciente.

1. Quantos médicos: o dimensionamento

Dimensionar é calcular o tamanho da equipe. São duas contas diferentes, e a resposta de uma não serve para a outra.

  • Cobertura: quantos médicos precisam estar presentes, ao mesmo tempo, em cada turno.
  • Quadro: quantos nomes a lista precisa ter para cobrir o mês inteiro, contando férias e faltas.

Muita escala quebra porque acerta a primeira conta e esquece a segunda. O turno está certo no papel, mas a lista é curta. Todo mês sobra vaga aberta e o coordenador liga para os mesmos três médicos.

No artigo dimensionamento de equipe médica por setor, você vai entender:

  • o mínimo da UTI pela Resolução CFM nº 2.271/2020: 1 plantonista para cada 10 leitos ou fração, em cada turno;
  • por que “ou fração” faz uma UTI de 11 leitos pedir 2 plantonistas, e não 1;
  • a conta do pronto-socorro e da UPA: no máximo 3 pacientes por hora por médico do primeiro atendimento, pelas Resoluções CFM nº 2.077 e 2.079/2014, feita por faixa de horário e não pela média do dia;
  • a folga do quadro, entre 10% e 20%, para férias, doença e desistência.

Esse número é a base de todo o resto. Sem ele, nenhuma regra de escala dá conta do mês.

2. Quem pode entrar: o credenciamento

Credenciamento é conferir se o médico pode trabalhar ali antes do primeiro plantão. Inclui ver se o CRM (o registro no Conselho Regional de Medicina) está ativo e se a especialidade está registrada.

O problema mais comum não é deixar de conferir. É conferir a mesma coisa várias vezes, em lugares diferentes, e mesmo assim ninguém ter certeza numa sexta à noite.

No artigo credenciamento médico: conferir CRM, RQE e documentos uma vez só, você vai entender:

  • quem responde pela conferência: a direção técnica, pela Resolução CFM nº 2.147/2016;
  • o que prova o CRM, o que prova o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) e quando o médico de outro estado precisa de inscrição secundária ou visto provisório;
  • o checklist em três grupos: o que vale para todo médico, o que depende da vaga e o que o seu hospital decide pedir;
  • os 5 passos para conferir na fonte uma vez e transformar o resultado em regra da escala.

É aqui que o dimensionamento ganha nomes. E é aqui que nasce a regra “quem não tem a especialidade do setor não entra”, que volta nos artigos seguintes.

3. Como dividir: noites, fins de semana e feriados

Com a equipe cadastrada, vem a pergunta que gera mais briga: quem fica com os plantões difíceis. Justo não é igual. Justo é a mesma regra para todos, com a conta à vista.

No artigo divisão justa de noites, fins de semana e feriados, você vai entender:

  • por que contar só o total de plantões engana, e as quatro colunas que bastam: total, noites, fins de semana e feriados;
  • a média proporcional, que é a parte das noites que cabe a cada um conforme o quanto ele trabalha;
  • a tolerância de cada mês e o acerto no trimestre e no ano;
  • por que a lista de feriados muda de um estado e de um município para outro.

A divisão justa nunca passa por cima do descanso, da carga semanal ou da especialidade. Ela vem depois dessas travas.

4. Quem cuida da regra: o coordenador de escala

O coordenador de escala é quem monta o mês, cobre as faltas, aprova trocas e fecha a conta do mês. Em muitos hospitais, isso virou um segundo emprego, feito à noite, de memória.

No artigo como aliviar o trabalho do coordenador de escala, você vai entender:

  • por que a escala responde à direção técnica, mesmo quando a execução é do coordenador;
  • como medir, em uma semana, para onde vai o tempo da coordenação;
  • o que é regra (decide-se uma vez) e o que é decisão (caso a caso);
  • seis alívios, do mês gerado a partir de um modelo do setor ao fechamento já somado, e um plano de quatro semanas.

O artigo junta as três partes anteriores na rotina: o número do dimensionamento vira modelo do setor, o credenciamento vira trava e a divisão justa vira tabela que todos veem.

5. Quem veio de fato: o controle de ponto

Controle de ponto é conferir se quem estava escalado, ou quem assumiu na troca, chegou e ficou até o fim. A ferramenta é a última decisão.

No artigo controle de ponto médico: livro, catraca, biometria, GPS ou QR code, você vai entender:

  • as três perguntas diferentes que o ponto pode responder: se o plantão teve médico, se o hospital pagou só o que foi feito e se o empregado cumpriu a jornada;
  • por que, sem a escala certa e as trocas registradas, qualquer ponto mede errado;
  • o que muda entre o médico CLT (com carteira assinada, que segue a lei do ponto) e o médico PJ (com empresa própria, que segue o contrato);
  • o que cada método prova, onde falha e o cuidado com a LGPD (a lei de proteção de dados) para digital, rosto e localização.

Esse artigo fecha o ciclo do mês: compara o que foi planejado com o que aconteceu.

6. Quem fica: a rotatividade de plantonistas

Rotatividade é a troca de gente na equipe: médicos que saem e precisam ser repostos. Ela quase nunca começa com um pedido de demissão. Começa com sinais pequenos, como parar de aceitar vagas extras.

No artigo como reduzir a rotatividade de plantonistas, você vai entender:

  • como calcular a taxa do seu setor: saídas ÷ equipe média × 100;
  • os sinais que aparecem antes da saída, acompanhados por pessoa;
  • a conta de quanto custa perder um plantonista, feita com os números do seu setor;
  • as cinco alavancas que estão na mão da escala, e um plano de 90 dias para o setor que mais perde gente.

Aqui as partes anteriores viram causa e efeito. Lista curta, divisão injusta, cansaço e conta do mês que não bate são motivos de saída. E cada saída deixa a lista mais curta.

7. Por que isso protege o paciente: escala e segurança

Segurança do paciente, nas palavras da Anvisa, é reduzir ao mínimo aceitável o risco de dano desnecessário no cuidado. A escala não trata ninguém. Mas decide se há médico no plantão, se ele descansou, se tem a formação que o setor pede e se todos sabem quem está de plantão agora.

No artigo como a escala médica afeta a segurança do paciente, você vai entender:

  • o que dizem a RDC Anvisa nº 36/2013, a Resolução CFM nº 2.147/2016 e o Código de Ética Médica;
  • os cinco riscos que nascem na escala, do plantão descoberto à escala com várias versões;
  • o que uma boa escala não resolve sozinha;
  • seis passos para levar a escala à pauta do Núcleo de Segurança do Paciente, o grupo interno que cuida dos riscos do cuidado.

É o artigo para mostrar à diretoria por que dimensionar, credenciar e dividir bem não é só gestão de gente.

Como os sete assuntos se ligam

Os temas formam uma corrente. Quando um elo falha, o problema aparece em outro lugar.

  • Lista curta (dimensionamento) gera furo. Furo gera dobra de plantão. Dobra gera cansaço (risco ao paciente).
  • Especialidade não conferida (credenciamento) põe o médico certo no setor errado, quase sempre numa troca ou num furo de última hora.
  • Noites sempre nas mesmas pessoas (divisão de plantões) faz essas pessoas saírem (rotatividade). Quem sai deixa a lista mais curta, e a corrente volta ao começo.
  • Troca combinada de boca confunde o controle de ponto, a conta do mês e a resposta a “quem estava de plantão?”.
  • Coordenador sobrecarregado (coordenação de escala) confere a regra de cabeça, na pressa. É quando a regra cai.

Por isso vale cuidar dos sete juntos. Resolver só um elo costuma empurrar o problema para o próximo.

O que vale no Brasil todo e o que muda no seu estado

As resoluções do CFM, as normas da Anvisa, a CLT e a LGPD são federais. Valem igual em qualquer estado, de um hospital de capital a uma clínica do interior.

Mudam de lugar para lugar:

  • as normas próprias do CRM de cada estado e as exigências da vigilância sanitária estadual ou municipal;
  • a inscrição secundária e o visto provisório, com prazos e taxas definidos pelo CRM local;
  • os feriados estaduais e municipais, e se o Carnaval é feriado ou ponto facultativo;
  • o acordo ou a convenção coletiva, para médicos com carteira assinada;
  • o valor do plantão, que varia entre estados, entre capital e interior e entre público e privado.

Antes de fechar a regra do seu setor, confira esses pontos no seu estado e no seu município.

O que fazer agora

  1. Faça as duas contas do seu setor mais apertado. Médicos por turno e nomes na lista, com folga. Comece pelo passo a passo do dimensionamento.
  2. Escreva a regra do setor numa linha. Especialidade exigida, descanso entre plantões, carga semanal e valor. É o que o credenciamento e a divisão justa precisam para funcionar.
  3. Teste a regra numa escala de verdade. Na demonstração aberta do adm.hospital, sem cadastro, você gera o mês a partir do modelo do setor, vê quem pode assumir uma vaga e faz uma troca. Quem quebra descanso, carga semanal ou especialidade fica de fora, com o motivo escrito.
  4. Quer conversar sobre o seu hospital? Fale com a equipe do adm.hospital pelo WhatsApp. O adm.hospital confere a regra antes de escalar, leva a vaga aberta só para quem pode assumir, mantém o plantão com o titular até a troca ser aceita e entrega o fechamento do mês em CSV, com o histórico de cada mudança. A consulta ao conselho e a pasta funcional continuam com o seu hospital.

Os 7 artigos do guia, na ordem de leitura

  1. 1Dimensionamento de equipe médica: como calcular por setor?O dimensionamento de equipe médica é feito em duas contas: quantos médicos cada turno precisa (pela regra do CFM na UTI e por até 3 pacientes por hora no PS e na UPA) e quantos nomes a lista precisa ter para cobrir o mês, com 10% a 20% de folga para férias e faltas.
  2. 2Como conferir CRM, RQE e documentos do plantonista uma vez só?No credenciamento médico, confira o CRM e o RQE na fonte uma vez, na entrada, guarde a prova com data na pasta funcional e transforme a especialidade exigida em regra da escala. Depois, reconfira só o que vence ou muda.
  3. 3Como dividir noites, fins de semana e feriados de forma justa?Para distribuir plantões de forma justa, conte noites, fins de semana e feriados separados por pessoa, compare cada um com a média do grupo (proporcional a quanto ele trabalha) e corrija no mês seguinte quem ficou acima. Os feriados se dividem no ano, com rodízio do Natal e do Ano-Novo.
  4. 4Como aliviar o trabalho do médico coordenador da escala?Tire do coordenador de escala médica o que é repetição: escreva a regra com a direção, gere o mês por um modelo do setor, deixe trocas e vagas passarem entre os médicos com registro e receba o fechamento já somado. Com ele fica só o que exige decisão.
  5. 5Controle de ponto médico: como conferir o horário do plantonista (GPS, QR code ou biometria)Comece pela escala: o controle de ponto médico só funciona se compara a presença com a escala certa, já com as trocas aceitas. Depois escolha o método pela sua dor (biometria, QR code no setor ou GPS) e respeite a CLT para quem é empregado e o contrato para quem é PJ.
  6. 6Como reduzir a rotatividade de plantonistas na escala?Para reduzir a rotatividade de plantão, ataque o que nasce na escala: publique o mês cedo e sem mudança de última hora, divida noites, fins de semana e feriados pela média do grupo, respeite descanso e carga semanal e passe toda troca pela escala. Meça antes e depois: saídas ÷ equipe média × 100, por setor.
  7. 7A escala médica afeta a segurança do paciente?Sim. A escala decide se há médico no plantão, se ele descansou, se tem a especialidade do setor e se todos sabem quem responde agora. Pela norma, o diretor técnico responde pela escala e a direção pelo Núcleo de Segurança do Paciente.

Perguntas rápidas

Quantos médicos uma UTI precisa por turno?

Pela Resolução CFM nº 2.271/2020, no mínimo 1 plantonista para cada 10 leitos ou fração, em cada turno, na UTI adulto de nível II e III. Uma UTI de 11 leitos já pede 2 plantonistas. A conta completa, com o quadro do mês, está no artigo sobre dimensionamento de equipe médica.

Qual a diferença entre CRM e RQE?

O CRM mostra que a pessoa é médica e pode trabalhar no estado do registro. O RQE, Registro de Qualificação de Especialista, mostra que a especialidade está registrada no conselho. Curso ou pós-graduação não viram RQE sozinhos.

O médico de outro estado pode dar plantão no meu hospital?

Pode, se o registro valer onde o plantão acontece. Para atuação habitual por mais de 90 dias, a Lei nº 3.268/1957 pede inscrição secundária no CRM do seu estado. Para atuação temporária, existe o visto provisório de até 90 dias. Prazos e taxas mudam de um CRM para outro.

Como dividir as noites de forma justa se cada médico dá um número diferente de plantões?

Use a média proporcional: noites esperadas = total de noites do setor × (plantões da pessoa ÷ total de plantões do setor). Quem faz 10% dos plantões responde por 10% das noites. A mesma conta vale para fins de semana e feriados.

Como calcular a rotatividade de plantonistas?

Divida as saídas do período pela equipe média e multiplique por 100. A equipe média é a soma de quem estava no começo e no fim do período, dividida por 2. Não existe taxa oficial considerada normal: compare o setor com ele mesmo e com outros setores do hospital.

Quem responde pela escala de plantonistas?

O diretor técnico. A Resolução CFM nº 2.147/2016 manda a direção técnica organizar a escala sem lacunas nas 24 horas e conferir a habilitação e a especialidade de cada médico. A execução costuma ser delegada ao coordenador do setor, mas a responsabilidade continua com a direção.

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A escala do mês, de pé na segunda de manhã.

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