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Como impedir que um médico sem a especialidade exigida seja escalado?

Escrito por Equipe adm.hospital

Publicado em · atualizado em · 7 min de leitura

Médico sorrindo com o celular na mão (imagem ilustrativa)
Capa do artigo: Como impedir que um médico sem a especialidade exigida seja escalado?

Resposta curta

Escreva a especialidade exigida no modelo de cada setor, confira o RQE de cada médico uma vez na entrada e faça a escala barrar, antes da confirmação, quem não tem a especialidade, inclusive nas trocas e nas vagas de última hora.

O problema não é falta de regra. É a regra morar na cabeça de alguém

Todo hospital sabe que a UTI pede intensivista, o centro cirúrgico pede anestesiologista e a pediatria pede pediatra. O erro quase nunca é não saber. O erro acontece na pressa: sexta às 22h, o plantão de sábado furou, alguém liga para o primeiro nome da lista, e o nome que aceitou não tem a especialidade que o setor exige.

Na planilha e no grupo de WhatsApp, a especialidade exigida é uma informação que só existe na memória do coordenador. Se ele está de férias, doente ou simplesmente cansado, a regra some junto. Para impedir o erro de verdade, a especialidade precisa estar escrita no próprio plantão e ser conferida antes de alguém ser confirmado, não depois.

Especialista, RQE e área de atuação: o que cada palavra quer dizer

Antes de travar a escala, vale alinhar o vocabulário com a equipe:

  • CRM: o registro no Conselho Regional de Medicina, que autoriza a pessoa a trabalhar como médico. Todo plantonista precisa ter.
  • RQE (Registro de Qualificação de Especialista): o registro, feito no CRM, que reconhece oficialmente uma especialidade. É ele que permite ao médico se apresentar como especialista.
  • Área de atuação: um foco dentro de uma especialidade, como neonatologia dentro da pediatria. Também é registrado no conselho.
  • Especialidade exigida do setor: a regra interna do hospital que diz quem pode ocupar aquela vaga. Ela pode seguir uma norma do conselho, um contrato com convênio ou com o poder público, ou uma decisão da direção técnica.

Pós-graduação, curso ou experiência não viram RQE sozinhos. Se o setor exige especialista, o que vale é o registro no conselho. Você pode consultar médicos na busca de médicos do CFM e no site do CRM do estado.

Quando a especialidade é obrigatória, e quando é escolha do hospital

Aqui mora a confusão mais comum. Nem toda vaga que o hospital trata como "de especialista" é obrigada por norma. E nem toda norma vale para todos os médicos do setor.

Um exemplo concreto é a UTI. A Resolução CFM nº 2.271/2020 diz que o responsável técnico deve ser especialista em medicina intensiva com RQE e que o médico diarista (o da rotina do dia) também deve ser especialista. Para o plantonista, o texto diz que é recomendável ter a mesma habilitação. Ou seja: na mesma UTI, a exigência muda conforme a função.

Além das normas do conselho, a exigência pode vir de três outros lugares:

  1. Contrato: editais públicos e contratos de gestão costumam pedir RQE na especialidade de cada vaga. Se o hospital escala quem não tem, o problema vira glosa ou multa contratual.
  2. Credenciamento e acreditação: convênios e programas de qualidade podem pedir que certas vagas sejam de especialistas.
  3. Decisão interna: a direção técnica pode exigir mais do que a norma pede, por segurança. Por exemplo, exigir intensivista também no plantão noturno da UTI.

Regra prática: para cada setor e cada função, escreva de onde vem a exigência. "UTI adulto, plantão: medicina intensiva, exigência interna da direção técnica" é muito mais fácil de defender numa auditoria do que "sempre foi assim". Na dúvida sobre o que a norma pede para o seu caso, pergunte ao CRM do seu estado antes de decidir.

Quanto custa escalar a pessoa errada

O custo não aparece no dia. Aparece depois, e costuma ser maior que o valor do plantão. Um exemplo com números redondos:

O que aconteceEfeito para o hospital
Plantão de R$ 1.800 na UTI coberto por quem não tem a especialidade que o contrato exigeO plantão pode ser contestado pelo contratante, e o hospital paga R$ 1.800 sem conseguir comprovar o que foi contratado
Erro repetido em 4 noites no mêsR$ 7.200 sob risco num só setor, fora a multa que o contrato prever
Intercorrência grave num plantão fora da regraA pergunta "por que esse médico estava ali?" cai na direção técnica e no coordenador da escala

Os valores são de exemplo. O ponto é que um plantão aceito às pressas pode custar várias vezes o próprio valor. Por isso a conferência precisa acontecer antes do aceite, e não na auditoria do fim do mês. Veja também como a escala se liga à segurança do paciente.

Como impedir o erro, em 5 passos

1. Escreva a especialidade no modelo de cada setor

Modelo do setor é a descrição fixa de como ele funciona: turnos, quantos médicos por turno, especialidade exigida, valor e teto. Se a especialidade está no modelo, ela aparece em todo plantão do mês, sem ninguém precisar lembrar. Exemplo: UTI adulto, noturno das 19h às 7h, 2 médicos, medicina intensiva, R$ 1.800. Veja o passo a passo em como montar a escala do mês e as diferenças entre setores em escala por setor.

2. Confira o RQE de cada médico uma vez, na entrada

Ao receber um plantonista novo, confira o CRM e o RQE no conselho e guarde o comprovante. Fazer isso uma vez, bem feito, é melhor do que perguntar "você é intensivista?" a cada vaga. O roteiro está em como conferir CRM, RQE e documentos do plantonista.

3. Faça a conferência acontecer antes da confirmação

A regra só protege se roda antes de o nome entrar na escala. Se a conferência é manual, crie um passo fixo: ninguém é confirmado sem alguém olhar especialidade, descanso e carga semanal. Se é um sistema, ele precisa barrar sozinho quem não cumpre a regra, e mostrar o motivo.

4. Mande a vaga aberta só para quem pode assumir

Disparar "alguém cobre amanhã?" no grupo inteiro é convidar o erro. Quem não tem a especialidade aceita por boa vontade, e o coordenador tem que desfazer. A vaga deve chegar só a quem cumpre a regra do setor. Mais sobre isso em o que fazer com o plantão descoberto.

5. Não deixe a troca virar a porta dos fundos

Muitas vezes a escala do mês está certa, e o erro entra pela troca combinada de boca: o intensivista passa o plantão para um colega clínico. A troca precisa obedecer à mesma regra da escala. E, até o substituto aceitar, o plantão continua com o titular. Veja quem responde na troca de plantão.

Exemplo: sexta à noite, a vaga de sábado na UTI

O plantão noturno de sábado da UTI adulto ficou em aberto. O setor exige medicina intensiva. A equipe tem 6 nomes:

MédicoEspecialidadeSituaçãoPode assumir?
AnaMedicina intensivaLivre no sábadoSim
BrunoMedicina intensivaSaiu de um plantão de 12h no sábado às 19hNão: sem descanso
CarlaClínica médicaLivre no sábadoNão: especialidade
DiegoMedicina intensivaJá fez 60h na semanaNão: carga semanal
ÍrisMedicina intensivaLivre no sábadoSim
JoãoCardiologiaLivre no sábadoNão: especialidade

De 6 nomes, só 2 podem receber a vaga. No grupo de WhatsApp, a Carla, que é boa clínica e quer ajudar, talvez respondesse primeiro. Com a regra conferida antes, a vaga vai só para Ana e Íris, e o coordenador vê por que cada um dos outros ficou de fora.

Como o adm.hospital faz essa conferência

O adm.hospital é o sistema de escala do hospital. A especialidade exigida faz parte do modelo de cada setor, junto com turnos, valor e teto. A partir daí:

  • Antes de confirmar, o sistema confere descanso, carga semanal, especialidade exigida e teto de valor. Quem quebra a regra não entra na escala.
  • Na vaga em aberto, a lista mostra só quem pode assumir. Quem não tem a especialidade do setor já fica de fora, com o motivo escrito.
  • Na troca, o plantão segue com o titular até um colega que cumpre a regra aceitar.
  • No histórico, fica registrado quem abriu a vaga, quem aceitou a troca e quem confirmou, com data e hora.

Um cuidado honesto: o sistema confere a especialidade exigida pelo setor, mas a checagem do RQE de cada médico no conselho continua sendo um passo da credenciação do hospital. Faça essa conferência na entrada do profissional.

Você pode testar a regra numa escala de demonstração, sem cadastro, em Experimente. Para ver o dia a dia da coordenação, leia Para o gestor. Para a direção, há como contratar e como cuidamos dos dados em Segurança.

Checklist para levar à reunião da direção técnica

  • Cada setor tem a especialidade exigida escrita, por função (responsável técnico, rotina, plantão)?
  • Para cada exigência, sabemos de onde ela vem: norma do conselho, contrato ou decisão interna?
  • O RQE de cada plantonista foi conferido no conselho e o comprovante está guardado?
  • A conferência acontece antes de alguém ser confirmado, e não na auditoria?
  • A vaga aberta chega só a quem pode assumir?
  • A troca passa pela mesma regra e fica registrada com nome e hora? Veja como registrar quem mudou a escala.

Perguntas rápidas

O plantonista de UTI precisa ser especialista em medicina intensiva?

Pela Resolução CFM nº 2.271/2020, o responsável técnico e o diarista da UTI devem ser especialistas em medicina intensiva; para o plantonista, a norma diz que é recomendável. Contratos e a direção técnica do hospital podem exigir mais.

Pós-graduação vale como especialidade na escala?

Não. Para o conselho, especialista é quem tem RQE (Registro de Qualificação de Especialista) no CRM. Se o setor exige especialista, confira o registro, não o certificado do curso.

Onde confiro a especialidade de um médico?

Na busca de médicos do portal do CFM e no site do CRM do estado. Faça isso uma vez, na entrada do plantonista, e guarde o comprovante.

O adm.hospital confere a especialidade antes de escalar?

Sim. A especialidade exigida faz parte do modelo do setor, e o sistema confere especialidade, descanso, carga semanal e teto antes de confirmar. Quem não cumpre a regra não entra e aparece com o motivo escrito.

E se o médico passar o plantão para um colega sem a especialidade?

A troca deve seguir a mesma regra da escala. No adm.hospital, o plantão continua com o titular até um colega que cumpre a regra aceitar, e a troca fica no histórico com data e hora.

A escala do mês, de pé na segunda de manhã.

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