Resposta curta
Mantenha quem está no posto até o substituto chegar, avise a direção técnica e abra a vaga só para quem cumpre descanso, carga semanal, especialidade e valor do setor. Registre cada passo com nome e hora, do aviso ao aceite.
Na cobertura de plantão em cima da hora, quem está no posto fica até o substituto chegar (Resolução CFM 2.056/2013), a direção técnica é avisada e a vaga vai só para quem cumpre descanso, carga semanal, especialidade e teto de valor do setor. Cada passo é registrado com nome e hora.
Sábado, 17h40. O plantonista da noite no pronto-socorro avisa que não vem às 19h. Faltam 80 minutos, o médico do dia está cansado e o grupo de mensagens já tem três “alguém pode?” sem resposta. Este texto é o roteiro para essa hora: quem responde, o que fazer em cada minuto, quem pode cobrir sem criar um problema maior e como evitar que a cena se repita no mês que vem.
Quem responde pelo plantão descoberto
Plantão descoberto é o turno da escala que, perto da hora, não tem médico para assumir. As normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) dividem a responsabilidade em três pessoas. Todas têm link para você conferir.
- Quem falta. O Código de Ética Médica, artigo 9, proíbe o médico de faltar ao plantão sem substituto, “salvo por justo impedimento” (um motivo sério que ele não pôde evitar).
- Quem está no posto. A Resolução CFM 2.056/2013, artigo 26, inciso IV, diz que o plantonista “obriga-se a esperar seu substituto”. Se o colega atrasa ou falta, ele avisa o diretor técnico ou o chefe do serviço e fica no posto até o substituto chegar.
- A direção técnica. O parágrafo único do mesmo artigo 9 manda a direção técnica providenciar a substituição quando falta o plantonista. A Resolução CFM 2.147/2016, artigo 2º, parágrafo 3º, lista entre os deveres do diretor técnico “organizar a escala de plantonistas, zelando para que não haja lacunas” e “tomar providências para solucionar a ausência de plantonistas”.
Em resumo: segurar o médico do dia no posto é a regra de emergência, não a solução. Quem tem o dever de achar a solução é a direção técnica, e na prática quem executa é a coordenação da escala. Este texto não é parecer jurídico. Para um caso concreto, vale o regimento interno do corpo clínico, o contrato e o CRM do seu estado.
Os primeiros 60 minutos, passo a passo
Exemplo com nomes de demonstração: o Dr. Diego está escalado no PS, sábado das 19h às 7h, por R$ 1.900. Ele avisa às 17h40 que não vem.
- 17h40: registre o aviso. Anote quem avisou, a que horas e o motivo dado. Esse registro protege o hospital, o Diego e quem vai cobrir. Aviso de boca no corredor não conta.
- 17h45: avise quem está no posto. A Dra. Ana, que sai às 19h, precisa saber agora que talvez fique além do horário. Pergunte com franqueza há quanto tempo ela está trabalhando.
- 17h50: veja quem pode cobrir, não quem está disponível. Antes de chamar alguém, confira descanso, carga da semana, especialidade do setor e valor (veja a tabela abaixo). Ligar para quem não pode só gasta os minutos que você não tem.
- 17h55: abra a vaga para quem cumpre a regra. Uma vaga só, com setor, horário e valor escritos. Nada de “alguém pode cobrir amanhã?” solto no grupo: a resposta mais rápida nem sempre é de quem pode assumir.
- 18h20: sem aceite, suba um degrau. Ligue direto para quem passou nas 4 perguntas, começando por quem tem menos noites no mês. Se combinar valor diferente do previsto, registre o novo valor na hora.
- 18h40: sem solução, a direção técnica decide. O chefe do serviço cobre até a solução definitiva, outro setor empresta um médico por algumas horas, ou o atendimento é reorganizado. Essa decisão é da direção, com nome e hora.
Os horários são um exemplo. O que importa é a ordem: registrar, proteger o posto, filtrar quem pode, abrir a vaga, escalar a busca e, por fim, decidir em nível de direção. Cada etapa com um nome e uma hora.
Cobertura de plantão: quem pode cobrir, em 4 perguntas
Na pressa, o erro mais comum é aceitar o primeiro “eu vou”. A pessoa que topa pode ter saído de um plantão de 24 horas de manhã, pode não ter a especialidade do setor ou pode custar mais do que o setor aguenta. Faça quatro perguntas para cada nome:
- Descanso: ela já descansou o mínimo que o hospital definiu desde o último plantão? Veja qual o descanso mínimo entre dois plantões.
- Carga da semana: com esse turno, ela passa do limite de horas da semana? Veja se existe limite de horas para o plantonista.
- Especialidade: ela tem a especialidade que o setor exige? Veja como impedir que alguém sem a especialidade seja escalado.
- Valor: o valor do plantão cabe no teto do setor (o limite de gasto definido para aquele setor)? Veja como controlar o gasto antes do fechamento.
No exemplo do PS de sábado, com teto de R$ 2.200 por plantão:
| Nome | Descanso | Carga da semana | Especialidade | Valor | Pode cobrir? |
|---|---|---|---|---|---|
| Dra. Ana | Está no posto desde as 7h | Ok | Ok | R$ 1.900 | Não: emendaria 24 horas seguidas |
| Dr. Bruno | Ok | Passaria do limite | Ok | R$ 1.900 | Não: passaria do limite semanal |
| Dra. Carla | Ok | Ok | Não tem a exigida | R$ 1.900 | Não: sem a especialidade do setor |
| Dr. Paulo | Ok | Ok | Ok | Pede R$ 2.600 | Só com decisão da direção: passa do teto |
| Dra. Íris | Ok | Ok | Ok | R$ 1.900 | Sim: cumpre as 4 regras |
Cinco nomes, um que pode de verdade. Se a coordenação descobre isso ligando um por um, vão-se 40 minutos. Se a lista já vem filtrada, a primeira ligação vai para a Íris.
Os erros que transformam um furo em dois
- Emendar quem está no posto “só desta vez”. Ficar até o substituto chegar é dever do plantonista. Virar o substituto, por mais 12 horas, é outra coisa: é um médico cansado cuidando do PS a noite toda.
- Liberar quem relata exaustão sem passar o caso adiante. Se quem ficou no posto relata exaustão e há paciente em urgência, ele não sai: comunica o diretor técnico, que precisa acelerar a substituição (Código de Ética Médica, artigo 9). Para o caso concreto, vale o parecer do CRM do seu estado.
- Tirar médico de outro setor sem olhar o outro setor. Cobrir o PS com o médico da enfermaria abre um buraco na enfermaria. Se for preciso, registre por quanto tempo e quem cobre lá.
- Combinar valor de boca. “Te pago R$ 2.600” dito no telefone vira discussão no dia 30. O valor combinado precisa estar na escala no momento do aceite.
- Não mudar o nome na escala. A Íris cobriu, mas a planilha continua com o Diego. No fechamento, o pagamento vai para quem estava em casa.
- Não registrar o motivo da falta. Sem registro, não dá para separar o imprevisto de quem falta todo mês.
Quando a falta é avisada com antecedência
Nem todo furo é de última hora. Se o médico avisa na quarta que não pode no sábado, o caminho é a troca, não a cobertura de emergência. Pelas mesmas normas, o plantão continua com ele até um colega aceitar. As regras e uma política de troca em sete itens estão em quem responde na troca de plantão até o substituto aceitar. Defina no regimento uma hora-limite: se ninguém aceitou até, por exemplo, 24 horas antes, a coordenação assume a busca.
Depois do plantão: o que evita o próximo
Na segunda-feira, olhe o furo com calma. Três perguntas dizem se foi azar ou se é padrão:
- O furo cai sempre no mesmo turno? Noites de sábado, domingos e feriados descobertos costumam ser sinal de divisão desigual. Se os mesmos três médicos pegam todas as noites, um dia eles param de atender o telefone. Veja como dividir noites, fins de semana e feriados de forma justa.
- Quanto tempo levou para cobrir? Anote a hora do aviso e a hora do aceite. Com alguns meses de registro, você sabe qual setor é frágil. Veja quais indicadores acompanhar na escala.
- Quanto custou? Some o valor extra pago, as horas a mais de quem ficou e o atendimento que atrasou. Esse número ajuda a direção a decidir se vale reforçar o setor. Veja quanto o hospital perde por plantão descoberto e como dimensionar a equipe de cada setor.
Se o setor precisa de alguém de prontidão fora do hospital para esses casos, isso tem nome e regra própria: é o plantão de sobreaviso, e precisa estar combinado antes, com valor definido.
Deixe a cobertura de plantão combinada antes do furo
O furo de sábado se resolve mais rápido quando o plano B já está escrito. Três combinados bastam:
- A ordem de acionamento, no regimento. Primeiro a equipe que cumpre a regra do setor, depois o chefe do serviço, depois a direção técnica. Cada degrau com um nome e um telefone.
- Sobreaviso nos setores frágeis. Onde o furo se repete, combine antes um plantão de sobreaviso (médico de prontidão fora do hospital), com valor definido. Ex.: um valor fixo pela prontidão, acertado antes do mês começar.
- A hora-limite da troca. Se ninguém aceitou a troca até, por exemplo, 24 horas antes, a coordenação assume a busca. Assim o furo não vira surpresa às 17h40.
Como o adm.hospital ajuda na hora do furo
O adm.hospital é o sistema de escala do hospital. Ele não é uma agência: não promete achar médico novo nem garante que alguém vai aceitar. O que ele faz é tirar da coordenação a parte que mais toma tempo quando o furo aparece no sábado à tarde.
- A vaga vai só para quem cumpre a regra do setor. Descanso, carga semanal, especialidade exigida e teto de valor são conferidos antes. Quem quebra a regra não entra.
- Você vê quem pode assumir, e por que os outros não. Ao tocar na vaga, a lista mostra quem pode. Quem estourou o descanso, passou da carga ou não tem a especialidade já ficou de fora, com o motivo escrito.
- O médico aceita pelo celular. Ele vê a própria escala e a vaga no celular, grátis para ele, sempre.
- Tudo fica no histórico. Quem abriu a vaga, quem aceitou, quem confirmou, com data e hora.
- O mês fecha certo. No fechamento, plantões, horas e valor por profissional saem em CSV (planilha que abre no Excel). O valor do sábado fica na linha de quem trabalhou.
- A divisão aparece. Noites, fins de semana e feriados por pessoa, com a média do grupo, para você ver se o furo vem de uma divisão desigual.
Quer ver antes de conversar? Na demonstração você cobre uma vaga e testa a regra, com dados de exemplo e sem cadastro. A semana do coordenador, do furo de última hora ao fechamento do dia 30, está na página do gestor de escala. Para a direção, o que está incluído e como contratar está em adm.hospital para hospitais.
Para guardar
- Quem está no posto espera o substituto. Quem resolve é a direção técnica, pela coordenação.
- Na cobertura de plantão, primeiro filtre quem pode, depois chame. Descanso, carga, especialidade e valor.
- Um nome e uma hora em cada passo, do aviso ao aceite.
- Na segunda-feira, pergunte se foi azar ou padrão.
Perguntas rápidas
O que é plantão descoberto?
É o turno da escala que, perto da hora, não tem médico para assumir. Quem está no posto espera o substituto e a direção técnica providencia a cobertura.
O médico que está no plantão pode ir embora se o substituto não chegar?
Pelas normas do CFM, não. Ele avisa o diretor técnico ou o chefe do serviço e fica no posto até o substituto chegar. Cabe à direção técnica providenciar a substituição.
Quanto tempo o plantonista precisa esperar o substituto?
Não há prazo fixo nas normas do CFM: ele fica até o substituto chegar, depois de avisar o diretor técnico ou o chefe do serviço.
De quem é a responsabilidade de cobrir um plantão descoberto?
Do médico que falta, salvo justo impedimento, e da direção técnica, que tem o dever de organizar a escala sem lacunas e resolver a ausência de plantonistas. Na prática, quem executa é a coordenação da escala.
Como escolher quem cobre a vaga de última hora?
Antes de chamar, confira quatro pontos: descanso desde o último plantão, carga da semana, especialidade exigida pelo setor e se o valor cabe no teto. Depois, chame quem passou nos quatro.
O adm.hospital garante que alguém vai cobrir?
Não. Ele abre a vaga só para quem cumpre a regra do setor, mostra quem pode assumir e registra quem aceitou, com data e hora. Quem aceita é o médico, pelo celular.
