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Quanto o hospital perde por plantão descoberto?

Escrito por Equipe adm.hospital

Publicado em · atualizado em · 8 min de leitura

Médico sorrindo com o celular na mão (imagem ilustrativa)
Capa do artigo: Quanto o hospital perde por plantão descoberto?

Resposta curta

O custo de uma vaga médica aberta é a soma do valor a mais pago para cobrir de última hora, da hora extra de quem dobra, do tempo da coordenação e do atendimento que não acontece. Não há número oficial: a conta se faz com o fechamento do próprio setor. No exemplo deste texto, o furo custa quase o mesmo que o plantão.

O plantão descoberto custa mais do que o valor do plantão

Quando um plantão fica sem médico, a primeira conta que vem à cabeça é a do valor do turno. Mas esse valor o hospital ia pagar de qualquer jeito. O prejuízo está no que vem junto: o valor a mais para cobrir em cima da hora, a hora extra de quem dobra, o tempo da coordenação no telefone e o atendimento que deixa de acontecer.

Não existe um número oficial de quanto um furo custa. Cada hospital tem o seu. Por isso, este texto não traz média do mercado. Traz a conta, parcela por parcela, para você fazer com os números do seu setor em meia hora.

As cinco parcelas do custo de um plantão descoberto

ParcelaO que éOnde achar o número
1. Ágio da coberturaA diferença entre o que você pagou para cobrir de última hora e o valor normal daquele plantão.Valor pago no fechamento menos o valor do modelo do setor.
2. Hora extra de quem dobraQuando ninguém vem e o plantonista que sai fica mais horas, ou outro profissional estica o turno.Folha de pagamento ou fechamento de plantões.
3. Tempo da coordenaçãoAs horas que o coordenador passa ligando, mandando mensagem e refazendo a escala.Horas gastas multiplicadas pelo valor da hora dele.
4. Atendimento perdidoLeito que não abre, cirurgia remarcada, paciente que desiste da espera.Margem (o que sobra depois dos custos), não faturamento bruto.
5. Custo que aparece depoisCansaço da equipe, médico que deixa a escala, risco maior no atendimento.Difícil de pôr em reais. Acompanhe por indicador, não por estimativa.

As parcelas 1, 2 e 3 você tira de papéis que já tem. A 4 pede cuidado. A 5 quase ninguém consegue medir com honestidade, e tudo bem: deixe fora da soma e acompanhe à parte.

Parcela 1: o ágio da cobertura

Ágio é o valor pago acima do normal. Se o plantão de 12 horas no pronto-socorro vale R$ 1.800 no modelo e, numa sexta à noite, só alguém aceitou por R$ 2.700, o ágio é R$ 900. É a parcela mais fácil de medir e a que mais cresce quando a escala vive no improviso.

Parcela 2: a hora extra de quem dobra

Pelo Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018), artigo 9, o médico não pode abandonar o plantão sem a presença de um substituto, salvo justo impedimento. Na prática, se o colega da noite não chega, quem está de dia tende a ficar. Esse tempo a mais tem preço. Se quem fica é empregado com carteira assinada (CLT), a hora extra vale no mínimo 50% a mais que a hora normal (Constituição, art. 7º, XVI). Se é PJ, vale o que o contrato diz para hora excedente.

Há um custo escondido aqui: o médico que dobra chega cansado ao próximo turno. Veja qual o descanso mínimo entre dois plantões.

Parcela 3: o tempo da coordenação

Conte as horas, não a sensação. Um furo de sexta à tarde costuma levar uma ou duas horas de ligações, mensagens e ajuste na planilha. Se o coordenador custa R$ 150 por hora e o mês teve seis furos de duas horas, são R$ 1.800 de trabalho que poderiam ter ido para outra coisa. Mais sobre isso em como aliviar o trabalho do médico coordenador da escala.

Parcela 4: o atendimento que não aconteceu

É a parcela que mais engana. Um leito fechado por uma noite não tira do hospital o valor inteiro da diária, porque parte do custo também não acontece. O certo é usar a margem: o que sobra depois de pagar insumos e equipe. Peça esse número ao financeiro, por tipo de atendimento. Sem ele, deixe a parcela fora da soma em vez de chutar.

Parcela 5: o que vem depois

Escala com furo frequente cansa quem fica, e quem cansa sai. Esse custo é real, mas transformar isso em reais exige dados que poucos hospitais têm. Melhor acompanhar sinais concretos: quantos médicos deixaram a escala no semestre e quem mais dobrou. Veja como reduzir a rotatividade de plantonistas e se a escala afeta a segurança do paciente.

A conta, com um exemplo para você trocar pelos seus números

Os valores abaixo são de exemplo, redondos, de um pronto-socorro qualquer. Não são média de mercado. Troque cada linha pelo número do seu setor.

LinhaExemploSeu número
Furos no mês (plantões cobertos com menos de 48 horas de aviso)6
Ágio médio por furoR$ 900
Furos em que alguém dobrou2, com 6 horas extras cada
Custo da hora extra de quem dobrouR$ 225 por hora
Horas da coordenação por furo2 horas, a R$ 150
Margem perdida (se o financeiro souber)fora da soma
  1. Ágio: 6 furos × R$ 900 = R$ 5.400.
  2. Dobras: 2 dobras × 6 horas × R$ 225 = R$ 2.700.
  3. Coordenação: 6 furos × 2 horas × R$ 150 = R$ 1.800.
  4. Total do mês: R$ 9.900. Dividido por 6 furos, cerca de R$ 1.650 por plantão descoberto.
  5. Total do ano: R$ 9.900 × 12 = R$ 118.800, só neste setor, sem contar margem perdida nem rotatividade.

Repare: no exemplo, o furo custa quase o mesmo que o próprio plantão. E isso sem a parcela 4, que fica fora da soma até o financeiro passar a margem.

Comparar o custo do furo com o custo de evitar o furo

A conta só vale se virar decisão. Com o total do ano na mão, faça três perguntas:

  • Pagar mais no plantão difícil sai mais barato? Se os furos se concentram no sábado à noite, subir o valor desse turno no modelo, decidido antes, pode custar menos que o ágio de última hora. No exemplo, R$ 5.400 de ágio por mês pagam um acréscimo de R$ 300 em 18 plantões.
  • A divisão está justa? Furo frequente costuma estar onde as noites e os feriados caem sempre nos mesmos nomes. Veja como dividir noites, fins de semana e feriados.
  • O furo nasceu na montagem? Médico escalado sem descanso, acima da carga semanal ou sem a especialidade do setor é furo agendado. Ele aparece depois, quando alguém percebe e tira o nome.

Onde os furos nascem e o que corta cada um

Causa do furoParcela que pesaO que corta
Escala montada à mão, conferida depoisÁgio e coordenaçãoConferir descanso, carga semanal e especialidade na hora de escalar
Troca combinada de boca, sem ninguém assumirHora extra de quem dobraTroca que só vale quando o colega aceita, com o titular respondendo até lá
Vaga anunciada no grupo para todo mundoCoordenaçãoVaga aberta só para quem cumpre a regra do setor
Valor de cobertura decidido no desesperoÁgioTeto de valor por setor, decidido antes
Noites e feriados sempre nos mesmos nomesRotatividadeDivisão visível por pessoa, com a média do grupo

Para o passo a passo de quando o furo já aconteceu, leia o que fazer quando o plantão fica descoberto em cima da hora. Sobre trocas, veja quem responde até o substituto aceitar.

Como medir sem planilha paralela

A conta acima precisa de três dados por plantão: quando a vaga abriu, quem aceitou e por quanto. Na planilha e no grupo de WhatsApp, esses dados se perdem. Sem eles, o furo vira só lembrança ruim, e não número.

Acompanhe todo mês:

  • Furos de última hora: plantões cobertos com menos de 48 horas de aviso.
  • Ágio médio: valor pago menos valor do modelo, nesses plantões.
  • Dobras: quantas vezes alguém ficou além do turno, e quem.
  • Horas da coordenação: anotadas por uma semana já dão uma boa média.

Mais indicadores em quais indicadores acompanhar na escala médica.

Onde o adm.hospital entra nessa conta

O adm.hospital é o sistema de escala do hospital, para a direção e a coordenação. Ele não promete zerar furos. Ele ataca as causas da tabela acima e guarda os dados para você fazer a conta:

  • O mês nasce do modelo do setor, com turnos, especialidade exigida e o valor de cada plantão. O valor do modelo é a base para medir o ágio.
  • A regra é conferida antes de escalar: descanso, carga semanal, especialidade e teto. Quem quebra a regra não entra, com o motivo escrito.
  • A vaga em aberto vai só para quem cumpre a regra do setor, e não para um grupo inteiro.
  • Na troca, o plantão segue com o titular até um colega aceitar. A troca fica registrada com quem entrou no lugar de quem.
  • Cada setor tem teto de valor. O gasto é decidido antes do fechamento. Veja como controlar o gasto com plantão antes do fechamento.
  • Histórico com data e hora: quem abriu a vaga, quem aceitou a troca, quem confirmou.
  • Fechamento em CSV, que abre no Excel, com plantões, horas e valor por profissional. É dele que saem as parcelas 1 e 2. Veja como fechar o mês de plantões.
  • Divisão de noites, fins de semana e feriados por pessoa, com a média do grupo.

Para o médico, é grátis, sempre. Dá para começar por um setor só e decidir depois se vale para o resto. Veja como fica a semana da coordenação, como contratar e como os dados são protegidos. Se já usa outra ferramenta, compare no comparativo.

Faça a conta hoje, com o seu setor

Pegue o fechamento do último mês de um setor só. Marque os plantões cobertos com menos de 48 horas de aviso. Some o ágio, as dobras e as horas da coordenação. Se o total do ano passar do que custaria pagar melhor os turnos difíceis, a decisão está tomada. Pela Resolução CFM nº 2.147/2016, cabe ao diretor técnico organizar a escala de plantonistas para que o serviço não fique com lacunas. Ter o custo do furo em reais ajuda a defender esse orçamento.

Quer ver a regra, a vaga e o fechamento funcionando antes de conversar? Experimente a escala no navegador, sem cadastro.

Perguntas rápidas

Quanto custa um plantão descoberto?

Não há valor oficial. Some o valor pago acima do normal para cobrir, a hora extra de quem dobrou, as horas da coordenação e, se o financeiro souber, a margem do atendimento perdido. No exemplo do artigo, com valores redondos, o furo sai por cerca de R$ 1.650, perto dos R$ 1.800 do próprio plantão. Faça a conta com os números do seu setor.

Devo usar o faturamento perdido na conta?

Não. Use a margem, que é o que sobra depois dos custos. Um leito fechado também deixa de gastar insumo e equipe, então o faturamento bruto exagera a perda.

O médico pode ir embora se o substituto não chegar?

Não. O Código de Ética Médica, no artigo 9, proíbe abandonar o plantão sem a presença de substituto, salvo justo impedimento. Por isso o furo costuma virar hora extra de quem já está no turno.

Quanto custa a hora extra de quem dobra o plantão?

Para empregado CLT, no mínimo 50% a mais que a hora normal, pela Constituição, art. 7º, XVI. Para médico PJ, vale o que o contrato diz para hora excedente.

Como reduzir o custo dos plantões descobertos?

Confira descanso, carga e especialidade antes de escalar, mande a vaga só para quem cumpre a regra, mantenha o titular responsável até a troca ser aceita e decida o valor dos turnos difíceis antes, com teto por setor.

A escala do mês, de pé na segunda de manhã.

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